terça-feira, 29 de setembro de 2009

O Encontro

Olhou-se no espelho, agora contente, pois enfim conseguira escolher a roupa apropriada para a ocasião: um encontro há muito esperado. Não se podia ir de qualquer jeito, precisava ir parecida a ela mesma. Sempre teve a impressão que algumas roupas a faziam virar outra mulher. Não, hoje precisaria dela. E assim, escolheu o seu vestido azul. Este vestido dizia tanto dela, que às vezes, o vestir era como desnudar-se. E era assim que ela queria estar para essa ocasião.


Não lembrava muito bem como o conhecera, pois tudo foi tão rápido. Lembrava sim, que o primeiro que lhe chamou a atenção nele, foi sabê-lo poeta. Fora tomada de assalto por suas palavras, o peso e a leveza, contidos em cada palavra, eram vertiginosos. Fora Chico, nunca ouvira outro homem dizer tão profundamente da alma feminina. E ele dizia. Era lindo se ver mulher a partir do olhar daquele homem. O acompanhava diariamente, cotidianamente. Lia e relia várias vezes seus poemas, seus contos. Era sua maneira de encontrá-lo. Sabia dele a partir de suas palavras.


Mas não o conhecia. Aliás, não da maneira costumeira. Salvo uma foto que tinha em seu blog, nunca o tinha visto. Não sabia como era o seu andar, que gestos utilizava ao falar, como seria sua voz, como seria a palavra falada por ele. Não. Não sabia nada disso.


Mas, eis que o inesperado aconteceu: um encontro. Sim, um encontro com ele. Um encontro que de tanto esperado, agora provocava medo. Medo de sabê-lo real, humano, nítido. Mas, não poderia deixar de ir. Não poderia perder a oportunidade de conhecê-lo. De tê-lo perto. Estava feliz. O lugar não poderia ser mais apropriado, um sarau de poesia. Ali, iria encontrá-lo.


Chegou atrasada. Será que ele ainda estaria por aí? Não sabia. Estava tão ansiosa. Procurou-o pelo salão. Ali estava ele, com sua beleza indizível e sua palavra indescritível. Aproximou-se devagar, como querendo reter para si o momento. Sentou-se diante dele e, ainda teve tempo de ouvir, como se fosse para ela, as últimas palavras do poema que ele acabara de ler finalizando sua performance:


“... meninas, são tão lindas
(instáveis, voláteis, risíveis)
ainda mais
quando não são
mas fingem-se meninas.” *




*poema “Meninas” de Aluisio Martins


Filme curta-metragem baseado neste conto::http://www.youtube.com/watch?v=WO-SdK53ISY

3 comentários:

  1. Me vi em sua narrativa, parecia vivê-la consigo, um dia estarei assim de novo, embevecida por miim na esperança de ver em outro a esperança de uma nova experiência, de uma paixão ou de uma ilusão que seja, desde que cheire a vida. Um beijo amiga! Te amo!

    ResponderExcluir
  2. eu tb amo tu é muito... e desejo toda a sorte neste momento tão especial.

    ResponderExcluir
  3. Silvia. Vo o making of do seu curta no Youtube e gostaria de assistir ao curta em si. Onde acho???

    ResponderExcluir