sexta-feira, 27 de março de 2015

Hoje é o dia da Maria

Lembro-me com nitidez o dia em que lhe tive em meus braços pela primeira vez. Você era igual a menina dos meus sonhos. Sim, você me apareceu em sonhos. E eu sabia de um saber de alma, que era você que se gestava dentro de mim. 
Assim que você nasceu, lhe colocaram em meus braços, foi um dos momentos mais lindos que vivi. Você chupava seu dedinho e isso era tão imenso. De repente eu tinha aquele serzinho, tão pequenininha em meu colo, com o dedinho na boca, me olhando. Neste momento no Universo inteiro, só existia você e eu. Num gesto de amor, tirei o seu dedinho da boca e lhe ofereci meu peito e aí dei-me conta do milagre da Vida, dei-me conta do infinito amor que me une a você. Amor esse que mesmo que pareça impossível, foi crescendo com o tempo. É eu consigo lhe amar mais ainda do que no primeiro dia em que lhe tive em meu colo. Creia. 
Hoje, vendo você tão crescida, tão menina-grande, me emociono da mesma maneira que me emocionei há onze anos atrás. Você sempre me emociona. Na sua fala, nos seus gestos, na sua delicadeza, na sua firmeza, no seu olhar, no seu sorriso, na sua maneira de Ser no mundo. Vivo um turbilhão de emoções. É tão maravilhoso Ser com você, é tão mágico ir pela vida ao seu lado, é tão intenso, tão imenso saber-nos imersas neste amor que nos une... Que só me resta, hoje, agradecer-lhe por existir. Obrigada. Muito obrigada por existir em minha vida. Brindemos então a esse dia, o dia da Maria, o dia em que você chegou aqui neste planetinha lindo e compartilha sua existência conosco. E não só hoje, mas todos os dias, na minha vida, são dias da Maria.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Sobre paixões


                                                                           


A Ju lia
Lia tudo o que via
E o mundo se construia
Sob o olhar 
Da Julia que lia.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Sobre a Imensidão de Ser


A menina chegou feliz e perguntou a sua mãe:
-Mamãe você se lembra como era antes de você morar na barriga de sua mãe?
- Não, meu amor. Já faz tanto tempo. Respondeu a mãe.
- Pois eu lembro!Eu morava com Jesus, ele cuidava muito bem de mim. Um dia ele me disse: vamos Julia, já está na hora, vamos! Aí, eu morri e nasci em sua barriga.
Emocionada, a mãe da menina Julia, ficou lembrando do dia em que também morreu...

sábado, 28 de janeiro de 2012

Maria e o Mar


Ao Mar ia Maria
Maria ao Mar ia
De tanto ir
De tanto Mar
De tanto Mar ia
Já não se sabia
Se o Mar continha Maria
Ou se Maria continha o Mar...

sábado, 24 de dezembro de 2011

Conto Natalino

Chegou o grande dia. A menina esperava por ele o ano inteiro. Era o dia mais feliz de sua vida.
Acordou cedinho e quase não podia conter sua ansiedade. Como demorava o dia a passar, a noite teimava em não chegar. Mas a menina, apesar de sua ansiedade, fingia brincar para enganar o tempo. 
Assim, entre uma brincadeira e outra chegou a hora de se arrumar. Colocou seu vestido azul, estava se sentindo linda. Para um momento tão especial, precisava estar linda. Era noite de Natal. Para ela, a melhor noite de sua vida. Pois todos os anos (não sabia a menina que esse seria o último) saía de mãos dadas com seu pai, sua mãe e seus irmãos. Não faziam uma ceia como todas as famílias, pois não tinham dinheiro para isso, bom, pelo menos era o que acreditavam... E sempre, para celebrar o Natal, saiam a passear, tomavam o ônibus e iam ao centro da cidade, lá desciam e caminhavam pelas ruas iluminadas, enfeitadas com adornos natalinos. Adorava caminhar por entre as lojas segurando a mão de seu pai, se sentia tão segura... Olhava através das vitrines os brinquedos, eram tantos, tantas bonecas, tantas... Mas a menina sabia que não podiam ser dela, pois sempre antes de sair sua mãe lhe avisava: não peça nada, vamos somente olhar... E a menina não pedia, ficava a olhar e imaginar-se brincando com as bonecas tantas que via. Como imaginava, a menina. Como se sentia feliz junto a sua família, sonhando possibilidades.
E de tanto sonhar, terminou a noite adormecida no colo de seu pai, na mais imensa paz, sonhando os mais lindos sonhos e guardando no mais profundo de sua alma a certeza da espera de mais uma noite de Natal.



sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Sobre ser livre

Um dia vinha ela de mãos dadas com sua mãe. Sentia-se tão segura, sua mãe emanava tanta fortaleza. Não tinha idade suficiente, a menina,  para perceber as fragilidades da mãe. Assim, a mão que a segura e a guiava, era tudo.
Conversavam sobre a vida, a menina, dizia de todo o belo que experimentava ao viver. Tudo para ela era extraordinário, era mágico, era imenso. Seus olhos tinham sempre o brilho da descoberta...
De repente, a menina pára. Tem uma expressão grave. Sua mãe a observa. Estão diante de muitos pássaros, todos presos em gaiolas.
A menina, olha para mãe e diz:
- Compra para mim.
A mãe, olha profundamente em seus olhos e pergunta:
- Para que você quer pássaros em gaiolas?
A menina com sonhos no olhar, responde:
- Para soltá-los...



PS: esse texto foi escrito em homenagem à minha filha Julia Ameijeiras, que um dia me deu a beleza de vivenciar esse momento... Obrigada, meu amor. Obrigada por existir em minha vida...

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Era uma vez na vida...

Era uma vez uma menina que morava dentro de uma mulher, ou era uma mulher que morava dentro de uma menina? Não se sabia, o que se sabia é as duas ocupavam o mesmo corpo. Essa menina-mulher ou mulher-menina, fora criada por uma menina que tinha muitos medos, que por sua vez tinha sido criada por outra menina, que sentia mais medo ainda. Esse medo as ligava, era um grande cordão que as entrelaçava na linha do tempo.  Dentre todos os medos, o maior dele e principal, era reconhecerem-se Mulher. Passaram toda uma vida negando a si mesmas esse fato, preferiram continuar meninas, era mais seguro. E por segurança, criaram muitas verdades inventadas, que foram passadas por este cordão a menina-mulher. E esse cordão ia se enroscando nela, dando voltas em sua vida, sussurrando em sua alma as verdades inventadas: não cresça, não seja mulher, os homens são perigosos... E sempre que a menina tentava se desatar, mas forte o cordão se enroscava nela, a aprisionando nestas verdades inventadas. Impossibilitando-a de ser, simplesmente ser. Assim, o tempo foi passando e a menina presa em sua meninez.
Sempre que um homem tentava se aproximar dela, a menina,  ela o negava, o afastava, pois ele, o homem, a queria mulher, e ela não podia ser, acreditava não saber. Lembrava das verdades inventas: "Não seja..." E cada vez ela ficava mais enroscada.
Muitos foram os que tentaram ajudá-la a se desenroscar daquele cordão. Pura ilusão. A menina até parecia não querer crescer... Vivia em seu mundo de sonhos. E parecia feliz...
Um dia, desapercebida na vida, a menina encontra um livro e, como adorava histórias, o pega para ler. Não sabia, a menina, que aquele não era um simples livro, nas páginas daquele livro se escondia um grande mistério feito em palavras. O mistério de sua própria vida. Ao ler a primeira página a menina começa a perceber que ali está mais do que uma simples história. E a cada página que lia, o livro ia se desfazendo e como magia, o cordão que a enroscava também. E ela ia deixando de ser menina e se transformando em uma mulher. Livro e cordão iam criando formas, que dançavam ao redor dela.  Quando ela terminou de ler, se deu conta que o livro havia se transformado em  um homem e que ela não era mais uma menina, sim uma mulher.  Num gesto de profunda cumplicidade, o homem a sua frente segura a sua mão, a acolhe em seus braços e sussurra em seu ouvido: Seja!