terça-feira, 21 de setembro de 2010

Os sapatos eram vermelhos

A porta se abriu. O primeiro que viu foi um par de sapatos vermelhos, de saltos muito finos. E em cima desses sapatos, duas lindas pernas sustentavam um lindo corpo. Um corpo esbelto, delicado, feminino. Parecia até que podia voar. Que leves eram seus movimentos... Os braços estendidos, seguravam uma mão. Mas não era somente uma mão. Era a mão que tanto sonhou segurar, que tanto sonhou lhe fazer um carinho... Ali estava ela, fazendo carinho em outro rosto, tocando outra mão que não a sua. E sim, de uma mulher. Que imagem forte para a menina. Nesse momento, se deu conta do quanto distante estava dessa forma de ser mulher... E por um instante, esqueceu a mão e tudo o que ela representava. Só tinha olhos para aquela mulher. Não que a desejasse,  não. O  que sentia era uma profunda tristeza, tristeza  por compreender que ainda estava guardado,  no mais profundo de sua alma, a culpa de ser mulher.  Crescera com essa culpa e agora percebia que o que a afastava dos homens, era o fato deles lhe lembrarem que ela era uma mulher. E agora, ao ver ali diante dos seus olhos, uma mulher que não lhe passava culpa alguma por sua condição, lhe veio toda a sua vida como num sonho e toda a negação de sua sexualidade... A menina, imersa na sua impossibilidade de ser, chorou mais uma vez, como gente grande.

4 comentários:

  1. Eis a maturidade... chorar como gente grande e acima de tudo... percebê-lo!

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  2. é isso amiga, mas já passou... O importante é seguir... beijos

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  3. Tocou fundo mesmo esse. :|

    o importante é Seguir em frente...saber superar....deixar que realmente a vida aconteça.

    BoaTarde1

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  4. obrigada pela mensagem Karia, sim, o melhor sempre é seguir em frente...

    beijos

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